Um mundo mágico

16 03 2016

Existe, a triliões de anos-luz da Terra, um planeta extraordinário e mágico. Este planeta é constituído apenas por árvores ocas, gigantes, grossas, falantes, andantes, engraçadas, sábias, coloridas e indestrutíveis; por flores brilhantes e cantantes; por animais que andam e falam como se fossem pessoas; por monstros assustadores, mas bondosos; por anjos; por demónios; por deuses; e por humanos de todas as cores e feitios. Nenhum destes seres vivos precisa de comer ou dormir.
– Olá, como vai? – Cumprimentou uma bela menina de longos cabelos azuis e pés descalços.
– Muito sol para ti! – Respondeu amistosamente Esmeralda. Esmeralda era uma bondosa anciã, que saudava sempre desejando sol.
– Recolho pedrinhas, faço o meu trabalho de todos os dias. – Disse safira. A menina, de longos cabelos azuis e pés descalços, não tinha idade. Nascera para colher pedrinhas, vivia para transformá-las em sonhos. E todos os mereciam, porque todos os seres têm o direito a ter sonhos.
– Ajudo-te a transportar as sacolas! – Referiu a prestável anciã.
– Obrigada, na verdade as pedrinhas são pesadas… Mas quando as coloco nas mãos das pessoas, estas tornam-se leves… é o poder dos sonhos!
E estas são as conversas que os seres desse lugar têm entre si.
Todos vivem em paz e harmonia, sem descriminações, sendo governados pelo Tempo, com mais de cem mil anos. Alma, a árvore, Margarida, a flor, Beija-flor, o pássaro, são alguns dos habitantes. Estes ensinam os mais jovens a ler, a escrever, a limpar, a desenhar, a cantar, a dançar, a nadar, e a amar.
A escola fica ao pé das humildes casas dos anciãos, assim como a piscina, a biblioteca, o parque e uma clareira enorme onde se fazem festivais e outros grandes eventos.
Na clareira há um festival a que se dá o nome de “Corações unidos” realizado de dois em dois anos. Esta festa tem sempre muitos jogos engraçados, como os jogos de tabuleiro, os jogos de tiro ao alvo, os jogos de sorte, os jogos de perguntas e respostas, caças ao tesouro e o Paintball, só que em vez de armas, existem balões cheios de tinta. Há também carroceis; montanhas russas; rodas gigantes; montes e montes de luzes que não precisam de eletricidade; fogo-de-artifício; casas assombradas; e um ritual. Este ritual consiste em dar filhos aos casais já casados e que juntos decidiram cuidar de mais alguém para além deles próprios.
É assim que eles vivem sem guerras, sem discussões, sem suicídios, sem assassinatos, sem raptos, sem fome, sem dinheiro, sem eletricidade, sem seres vivos, sem casa, sem dor, sem lágrimas de tristeza, sem doenças, sem mortes, sem cansaço, com risos, com sorrisos, com felicidade e com lágrimas de alegria, até mesmo de tanto rir.

Inês Ferreira 8ºD



Uma aventura no veleiro do tempo

16 03 2016

Um homem, de nome Renato, era muito aventureiro, confiante e determinado. Um dia, estava na sua grande casa, pois era um homem de posses, quando, ao olhar pela janela do seu quarto, que tinha vista para o mar, imaginou-se sozinho a bordo de um veleiro, a navegar no grande oceano.
Durante essa semana, Renato não pensara em outra coisa. Tratou de tudo para começar a viagem, que imaginou, o mais depressa possível. Vendeu a casa, comprou um veleiro.
Eram ainda seis da manhã e Renato partiu, levado pelo seu sonho na companhia do sol, que começava de espreitar a terra. Desfraldou as velas e fez-se ao mar.
Navegou durante três semanas, em direção a oeste, até que, inacreditavelmente, encontrou uma ilha desconhecida. Durante algum tempo ficara a pensar se o que via, ao longe, era real ou apenas fruto da sua imaginação, se devia aproximar-se mais, ou desviar-se e seguir rumo a ocidente. Como era muito aventureiro, decidiu aproximar-se da ilha, largar a âncora e ir até terra. Teve uma sensação familiar, um sentimento já vivido antes, um arrepio doce, que lhe fez lembrar castanhas cozidas, comidas em criança, em casa de uma vizinha muito pobre, que apenas tinha castanhas para comer…
Renato caminhou, sentiu mexer os seus próprios pés na areia dura, as suas pernas faziam o movimento natural do caminhar, uma após outra, uma após outra… Estranho, muito estranho, Renato sentia que aquele espaço não correspondia ao tempo, sentia-se criança em cima de umas pernas muito altas.
Ficou admirado por não se ver ninguém na praia, exceto ele e inúmeras árvores. Eram videiras, todas entrelaçadas, cuja folhagem mal deixava passar os raios de sol. Como uma estufa, ali era um mundo fechado, protegido, onde o sol, por ser tão frágil era todo aproveitado, cada raio era como um rebuçado, que se saboreia lentamente.
Renato, em criança fora pobre, mas tivera sorte na vida. Percorrera sempre o lado certo da estrada, fizera fortuna e amigos verdadeiros. Contudo, um dia, sonhara viajar rumo a uma ilha que deixara em criança. A ilha lá estava, repleta de sabor, de cheiro, de cor de castanhas cozidas.
Há ilhas que merecem que regressemos, elas estão lá à nossa espera…

David Miranda 8ºD