Nessum Dorma
A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins, dizia Huxley, com razão. É este um dos problemas do ensino massificado: muitas vezes, no contexto da sala de aula, temos dificuldade em lidar com o aluno individualmente, porque o número de alunos por turma e a necessidade de cumprir os programas quase que nos obriga a tomá-los por um corpo único e homogéneo, que não são. O actual descontentamento e incerteza de propósitos entre professores e alunos pelo país fora testemunham a veracidade disto. Dos gabinetes do ME saem directivas que tentam fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados, mas, assim, só conseguimos produzir especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos pode fazer deles cidadãos extremamente maus.
O problema de reconciliar as reivindicações do homem e do cidadão, da parte e do todo, vai tornar-se, inevitavelmente, cada vez mais agudo. A solução desse problema será uma das principais tarefas da educação futura e passará, certamente, pelos contextos de trabalho extra-aula, mais personalizados, como são os Clubes das Actividades de Complemento Curricular.
O Grande Prémio Frei Gil de 2008 nasceu e cresceu nas tardes de quarta-feira e nos fins-de-tarde de muitos dias de trabalho, com os miúdos a fazerem cair por terra a tese de que não havia tempo – havia vontade e isso foi o suficiente para se inventar tempo (não foi Paulo?, Pires?, Hugo?, João e demais 9.ºD?
).
O evento de dia 14 de Junho quadriplicou o número de equipas inscritas, ampliando a sua dimensão nacional e reforçando o conceito de agente-modelo de liderança que, modéstia à parte, o IPSB tantas vezes é, nos domínios da inovação na área educativa.
Este tipo de trabalho cooperativo torna possível a produção de produtos de real interesse e forte impacto social e educativo, palpáveis e úteis – porque o fizemos juntos. Todos. O GP Frei Gil não é um projecto particular de ninguém: é, de facto, de todos nós. E, juntos, diluimos fronteiras entre os agentes educativos, promovemos a escola enquanto pólo de dinamização cultural, fomentámos a produção/divulgação de materiais educativos/culturais próprios, reforçámos a posição da escola como pioneira na utilização efectiva e universal das energias alternativas – criámos uma força motriz para a reafirmação do IPSB como agente basilar de inovação e promoção cultural e tecnológica.
Estamos de parabéns. Todos. Toda a escola. Obrigado!
E, agora, Nessum Dorma: ainda há muita escola por cumprir.
Publicada em Escola em June 19th, 2008 por andre_moreira | |
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