E eis que!…
Este “miúdo” é o Roberto. Tem 12 anos. Passou para o 7º ano com notas excelentes.
É um “puto” simples. Muito tímido. Gosta de jogar ping-pong e às escondidas e adooooora inventar e fazer os seus aviões de papel…
Perde-se a ler um bom livro!
Esquece-se do tempo enquanto navega pela web e, perdido no mundo virtual, responderá duas vezes - Já vou mamã! Estou quase a acabar! - antes de ouvir um ralhete…
Certamente tem um amigo imaginário, o “Capitão Teclas”, que tem poderes especiais contra monstros-de-armário e viaja no cockpit dos aviões que constrói. É ele que ajuda quando o Roberto está em apuros e é capaz de atacar os malvados com bolas-de-fogo, “raios-de-encolhimento” e a sua arma secreta, “Acorde-Dissonante-De-Congelamento-Mortal”, lançada ao grito poderoso - GO! GO! CAPITÃO TECLAAAAAAAAASSSS!!!!!!!…
No avião robusto e veloz, o seu amigo voa mais forte e mais alto que os seus próprios medos! Cada vez que o avião sai da “mega-rampa-de-lançamento” instalada nos seus braços biónicos, um sonho mais nasce e mais uma grande e importante vitória está prestes a consumar-se!
BUMMM! BANG! CAAAABBBUUUUUMMMM!!!!!
O avião pousa, acabada a missão secreta, e ele vai buscá-lo. Está tudo bem - ninguém se magoou e o Mundo ficou mais protegido…
Depois sorri com os olhos postos no cockpit. Ele sabe que é um sortudo! Ele sabe que mais ninguém no Mundo tem um amigo assim! E tem a secreta esperança que da próxima vez o avião voe ainda mais longe!
O Roberto, o “miúdo” da foto ao lado, é um “miúdo” como os outros… Excepto quando lhe põem um piano nas mãos! Só quem o viu a tocar percebe o quanto ele se transfigura naquele banco…
No seu estado Zen, senta-se.
Pousa as mãos uma na outra e elas tranquilizam-se mutuamente…
Baixa a cabeça… inspira…
e levanta voo…
O “miúdo” desaparece - agora ELE é o “Capitão”! Mas não se iludam que de imaginário nada tem. Os seus músculos ganham vida e o seu corpo balança ao ritmo da emoção, como se no avião de papel voasse!
O Dó, antes quedo e monótono, passa a ter cores, o Ré cheira a fruta fresca!, o Mi e o Fá fazem-nos cócegas e o Sol aquece-nos! O Lá e o Si apaixonam-se e comovem-nos… A melodia está lá! A paixão eclode!
A grande diferença entre o “Capitão” imaginário e o real é que, na verdade, os raios de luz não encolhem mas fascinam, o fogo apenas revela paixão pela música e os acordes não matam mas acordam os sentidos e sentimentos de quem os ouve.
Ainda lhe falta tudo para aprender. E ele sabe disso - e é bom que não se esqueça. Nem que se convença.
No dia 2 de Julho o Roberto foi ao Fundão a um Concurso Internacional de Piano. É um dos concursos mais importantes da Península Ibérica para jovens dos 8 aos 18 anos. O júri, implacável, é constituído por russos, espanhóis, brasileiros… Os concorrentes também eram russos, espanhóis, portugueses…
O Roberto chegou até às finais!
…
O Roberto mostra-nos o que os nossos filhos podem fazer se os ajudarmos a libertar o Capitão X que lá está escondido, à espera. Eles merecem o nosso Amor incondicional, a nossa exigência, a nossa ternura e o nosso “não”, na hora certa. Eles merecem o nosso tempo…
Parabéns ao Roberto, aos pais, à Escola de Artes da Bairrada e ao Prof. Nuno Caçote.
…
Vi-o ontem, à chegada do concurso. Não trazia nenhum avião de papel mas vinha nas nuvens.
E sorria! Porque sabia…
Publicada em E eis que… em July 3rd, 2008 por Telmo Domingues | |
One Response to ' E eis que!… '
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on July 4th, 2008 at 6:54 pm
se calhar, vinha montado na nuvem mágica do songoku, qual superguerreiro das teclas!!!
parabéns, roberto!