>
   
       
informação -> notícias
   

A propósito da inauguração da Casa de Ramalde

… Por minha culpa, minha tão grande culpa, confesso…

Não - religião não é o tema. Não é aos padres que me confesso mas sim à minha consciência. E ela hoje fez-me curvar… Houve até quem pensasse tratar-se de uma polida vénia, pois eu tinha que disfarçar a vergonha de uma qualquer maneria, mas não - era ela que me torturava o espírito e me amarrava as mãos aos pés, como que a relembrar-me o hábito de olhar outra e outra vez e apenas para o meu querido umbigo. Que lindo ele é! Tão redondinho e colorido, enfeitado com uma bolinha de cotão!

Até onde pode ir o alheamento deste mundo que me entra pelos olhos e eu não vejo? Até onde vai o meu egoísmo? Sinceramente não sei.

Hoje foi um dia grande. Imenso! Hoje foi inaugurada a Casa de Ramalde da Obra Frei Gil. Anos e anos de luta atrás de um ideal que se escondia atrás de um papel, que se esvanecia com a falta de meios, que se tornava mais e mais onírico e distante quando, na verdade, estava tão perto… Valeu a pena! Quem foi à Casa e viu as crianças de Frei Gil a correr e a brincar sabe o quanto valeu a pena! São GRANDES os HOMENS e as MULHERES que foram os verdadeiros pilares desta obra. Hoje devem ter uma das melhores noites das suas vidas! Como invejo o sono profundo que devem agora ter, enquanto combato esta maldita insónia! É que eu não fiz nada! Eu não contribuí com nada! Naqueles trinta sorrisos radiantes, naqueles trinta mundos arrancados ao sofrimento diário, não havia nada de meu! Senti-me um hipócrita no meio das pessoas voluntárias que trabalham em Ramalde depois do seu dia/semana de trabalho… Senti-me um arrogante ao olhar de igual para igual para algumas pessoas que, visivelmente cansadas, me cediam a passagem no corredor. Senti-me egoísta quando percebi que também sou culpado do que aquelas crianças ainda não têm. Senti-me pouco merecedor de ser da tua “Família”, meu caro Frei Gil…

Estarei só? Mais ninguém?

Acho que vou continuar  a ser egoísta. É no meu interesse que tenho que fazer algo. Espero chegar a tempo para ficar bem na fotografia.

Alguém quer vir comigo?

Vou tentar dormir. Boa noite.

Publicada em Escola em March 26th, 2009 por Telmo Domingues | |

2 Responses to ' A propósito da inauguração da Casa de Ramalde '

Subscribe to comments with RSS or TrackBack to ' A propósito da inauguração da Casa de Ramalde '.

  1. andre_moreira said,

    on March 26th, 2009 at 12:21 pm

    Antes de chegar aos 30, eu olhava o futuro como único juiz competente das nossas obras e dos nossos actos. Hoje não penso exactamente assim… acho que esse namoro ou flirt com o futuro (como dizia Kundera) é o pior dos conformismos, a cobarde lisonja do mais forte – e, provavelmente, um egoísmo maior. Digo isto porque o futuro é sempre mais forte do que o presente – é ele que, de facto, nos julgará. E, certamente, sem qualquer competência para tal…

    Enganamo-nos muitas vezes a idealizar e a planear futuros que não garantimos poder concretizar, quando, na realidade, é o presente que está aqui e agora e é o nosso presente que podemos oferecer – nunca o futuro. Socialmente, caminhámos no sentido contrário, adiando o dia-a-dia por troca com o futuro onde vamos continuar a viver o mesmo dia-a-dia adiado.

    Acho que Frei Gil terá feito exactamente o contrário: partindo de uma cartilha de valores, viveu plenamente o dia-a-dia e dessa vivência plena fez nascer futuros melhores – este meu presente, que é um seu futuro, é certamente melhor, apesar de tudo e de todas as queixas que ainda deixo escapar.

    Não conheci o homem, mas senti a sua “aura” aqui no IPSB, pelas palavras e acções de quem privou com ele – vive em ti, Telmo, como vive nas vozes que ouvi nas últimas reuniões, da Dulce à Rosalina, do Zé António à Ana Peres, passando pelo Paulo Amorim e por alguns outros. E foi por isso que por aqui quis ficar.

    Ou seja, Telmo, atrasei-me um pouco; mas estou a correr atrás do autocarro e sei que me vais ajudar a subir para ele. Certo?

  2. Ana Peres said,

    on March 30th, 2009 at 3:10 am

    Desculpem Telmo e André mas, depois do que escreveram, não consigo acrescentar mais nada,está aqui tudo,só falta a vontade e concretizar.Já “apanhei algumas vezes este autocarro”,agora também me atrasei,mas ,também,estou a “correr atrás dele e preciso da vossa ajuda para subir para ele” e ir com vocês!Não me deixem ter insónias…

Deixe o seu comentário

Tem de fazer login para deixar um comentário.

   
         
 

Instituto de Promoção Social de Bustos - Colégio Frei Gil