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Com E (de Educação) escreve-se Esperança

15medellin_mayor.jpgO meu colega e amigo Prof. André Moreira é particularmente sensível e atento ao pulsar da temática “Educação” - “Educação” com E maiúsculo, a que ele sustenta, bem distinta da “educação para as estatísticas”, que vai inebriando este país. Na última conversa que tivemos sobre o assunto, ele apresentou-me, com o olhar crispado à procura de espíritos contagiáveis,  o caso que a seguir vos transcrevo - um verdadeiro rastilho para a derradeira Revolução, que teima em não chegar…

Assim, com uma vénia ao André, apresento-vos uma tentativa de tradução de algumas das palavras proferidas pelo Prof. Sergio Fajardo, Alcaide de Medellín, Colômbia, que foi a “capital” mundial da droga e da violência nos anos 90. Antes de pensarmos, precipitadamente, que este Prof. Fajardo é um romântico alucinado, os FACTOS revelam que as acções que ele desenvolveu em Medellín baixaram, por exemplo, os 381 homicídios por cada 100 mil habitantes, em 1991, para 35 por cada 100 mil habitantes, em 2007, sem recorrer à força…

Este é um documento relativamente longo - mas vale bem a pena! Cada frase, cada ideia, tem um sabor e uma textura inigualáveis - pelo menos tendo em atenção que há, DE FACTO, a sua aplicação pragmática no terreno.

Aqui ficam algumas das passagens mais interessantes do seu testemunho! (versão espanhola integral)

Diz o Prof. Fajardo…

Clicar em “more” para continuar…

“No século XXI, qualquer projecto de transformação social tem de ter uma componente indispensável - Educação de alta qualidade. Isto significa que o que para alguns de nós, no passado, foi um privilégio - ter as melhores condições educativas -  hoje é um direito de TODOS sergio-fajardo.jpgos cidadãos. Se assim não for, teremos uma sociedade profundamente desigual, e as condições sociais serão progressivamente piores.

(…) Agora vamos entrar pela porta de um melhor futuro e a chave que a abre é a Educação.

(…) Temos de ouvir e ajudar todas as pessoas socialmente excluídas que nos chegam, com o objectivo de criar uma plataforma de igualdade para, a partir daí, abrir caminhos a novas oportunidades de modo a que as nossas pessoas possam ser livres e dignas.

A Educação é a verdadeira Revolução! (…) Ela é o caminho que desemboca nas oportunidades que nos permitem responder com realidades feitas com o mesmo material dos nossos sonhos, revelados com aquela pergunta tantas vezes repetida… - «Que queres ser quando fores grande?»

Uma criança que não tenha tido um bom começo, quando chega à escola já está em desvantagem. Por isso implementamos Programas que incluem Nutrição, Saúde, Recreio e Educação, desde o mais cedo possível (…) para que, quando colocado em frente a decisões formais, o jovem tenha as ferramentas básicas para não ser discriminado.

Mas tudo o que tenha a ver com Educação tem de ser ABERTO às comunidades e, por isso, construímos espaços com a maior dignidade possível para oferecer às pessoas. (…) Os Fundos que recebemos utilizámo-los para transformar as condições de Educação construindo Escolas da melhor qualidade, que rompem em espaços muitas vezes associados à maior pobreza, com falta de esperança. Aí a mensagem é poderosa para todas as famílias que não tiveram oportunidades: as Escolas são para os seus filhos e filhas crescerem com Educação e Dignidade (…).

E vamos crescendo para sermos grandes! Cada novo edifício, cada parque, cada Escola, cada biblioteca é parte de um projecto distinto que visa dar as mesmas oportunidades a todos pois a todos recordámos que em nenhum lugar da nossa cidade deve viver o esquecimento.

Todas as intervenções que fazemos se traduzem na implementação de uma estrutura física - o que não é casualidade pois fazemos a nossa política nas ruas, com as pessoas, recorrendo directamente a todos os espaços da cidade - e todas elas, intervenções, respondem à necessidade de desenvolvimento humano INTEGRADO. Para isso fizemos edifícios lindos, carregados de significado social, cultural, económico e político. Estão em construção cinco Parques-Biblioteca, localizados estrategicamente na cidade - Parques para NOS ENCONTRARMOS, bibliotecas para NOS TRANSFORMARMOS. Num Parque-Biblioteca encontramo-nos, Homens e Mulheres de qualquer idade, sem discriminações. Aí entramos num mundo maravilhoso porque aí se encontram os livros, a internet, paredes gigantescas para projectar filmes que não se podem ver noutros espaços, lugares para pensarmos, para nos recrearmos, para reflectirmos, para…

(…)

Um tremendo sonho, feito tremenda realidade:  o Parque interactivo da Ciência - sempre Parque! - porque nos temos que encontrar! Aqui se dá a construção da Ciência que só pode ocorrer em Cidadania. O desafio da Cultura é a transformação do conhecimento em actividade produtiva. Um parque desta natureza é a porta para um nível superior de criação, inovação e empreendimento.

(…) Com o microcrédito as pessoas mais humildes são estimuladas e acompanhadas no empreendimento de novas oportunidades de vida…

Quando entrámos no nosso mandato encontramos 4 ludotecas nesta cidade. Vamos entregar 65!(…) Somos inovadores neste tipo de iniciativa - as ludotecas são o primeiro piso na construção de uma Educação de qualidade.

(…)

Juntos, encontrámos novos motivos de orgulho para nos olharmos ao espelho e reconhecermo-nos com a dignidade que trazemos no nosso destino. Escrevemos um novo dicionário, cheio de significados que falam de nós mesmos. A Educação não é apenas uma aventura - é uma decisão que começa e termina em VÓS!, e que transforma pessoas em Cidadãos! Esta é a lição que estamos a aprender. Juntos!

No processo de transformação de Medellín, uma parte fundamental é o trabalho DIRECTO com as pessoas, transformando-as em cidadãos conscientes de que têm responsabilidades para com o seu povo…(…)

Quando abraçámos esta tarefa, chegavam jornalistas de toda a parte à procura de dramas humanos… A violência que nos nos converteu e isolou tem de ser rompida. Temos de voltar a sentir-nos parte de uma comunidade… Em Medellín temos de nos sentir profundamente orgulhosos (…) pois estamos a produzir riqueza para todas as pessoas! Hoje continuam a chegar jornalistas de todo o mundo mas o que vêem é muito diferente - algo se passa em Medellín! E queremos dizer ao Mundo que nos estamos a transformar em torno de uma cidade (…), a cidade mais Educada - Educação no sentido mais amplo da palavra. Aí está a Revolução para voltar a ser parte do Mundo!

Com as letras de escrever Esperança damos novo sentido a dizer Dignidade… (…)

Com E (de Educação) escrevemos Esperança!

O que aprendemos, hoje, mais que ensiná-lo, queremos partilhá-lo! ”

Fim de “tradução”.

Já agora três apontamentos:

1 - Nem é preciso traduzir (vejam a data!):

Título de uma notícia num “site” de Espanha - “La Red de Escuelas de Música de Medellín ejemplo para copiar en España“. Publicado por Equipo del concejal Santiago Londoño Uribe | Abril 15, 2009

2 - A equipa de Sergio Fajardo “desconhece” o que é isso de ser de “esquerda”, “centro”, ou “direita”…

3 - Em vez de perder tempo com questiúnculas e invejas, vamos é à ADREP dar uma mãozinha, vamos apoiar e acarinhar o IEC da Mamarrosa, vamos encantar-nos na Escola de Artes no Troviscal, vamos vestir a camisola do Orfeão de Bustos, vamos aplaudir no Centro Cultural do Silveiro, ou dar umas braçadas às piscinas em Oliveira…

Vamos às Escolas dar apoio aos nossos filhos! Vamos apoiar os Educadores! Vamos tentar perceber que os Professores, ao exigir mais dos alunos, estão a tentar fazer deles melhores pessoas, pessoas mais Educadas - CIDADÃOS!

fotos retiradas de http://medellin-colombia.blogspot.com/ e http://www.elcolombiano.com/proyectos/navidad2007/famosos/fajardo.asp

Publicada em Escola em April 18th, 2009 por Telmo Domingues | |

5 Responses to ' Com E (de Educação) escreve-se Esperança '

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  1. andre_moreira said,

    on April 18th, 2009 at 1:44 pm

    Sem vénias, rapaz… foi só uma conversa “à procura de olhares contagiáveis”!

    A educação é a experiência mais característica da condição humana, uma das poucas coisas que podem realmente mudar uma pessoa, dar-lhe um caminho, alargar-lhe as suas limitadas possibilidades. O dia em que aprendemos alguma coisa importante, o dia em que mudámos alguma coisa importante por causa dessa aprendizagem, não é um dia comum.

    Como disse Mandela, ” educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”.

  2. Ana Peres said,

    on April 19th, 2009 at 8:21 pm

    Nao resisto…já conhecia, através da leitura, o trabalho de Sergio Fajardo, (…)

  3. Ana Peres said,

    on April 20th, 2009 at 3:25 am

    Não resisti…outra vez! O comentário tinha falhas…eu e os computadores! Ao lê-lo, tive que o corrigir, e, assim, melhorar. Por favor, leiam só este!
    Nao resisto…já conhecia, através da leitura, o trabalho de Sergio Fajardo, na Colômbia e o sucesso das suas ideias, postas em prática, para o futuro de um país.
    Concordo com tudo o que foi dito por vocês mas, para nao ser mal interpretada nesta anuência sistemática ao que escrevem nesta página e não passar disso, resolvi, neste sábado, aceitar o repto do Telmo e, embora tenha deixado de lado algumas obrigações familiares, optei por sair desta “inércia social” e fui, pela primeira vez,ao IEC.
    Valeu a pena! Conheci um espaço multifuncional, moderno,agradável. Espantei-me com a diversidade de activividades, que estão a ser ou já foram promovidas, e conclui sobre a sua importãncia, no meio em que o Instituto está inserido, para o desenvolvimento de mentalidades e de gostos. Pela adesão a essas actividades, reflecti sobre a verdadeira necessidade, sentida pelas pesssoas, em saber mais, conhecer e fazer melhor, desde que se sintam parte integrante de um projecto. Saboreei cada palavra do conferencista e aprendi algo mais sobre um dos poetas que admiro, António Gedeão. Deleitei-me a ouvir, dramatizadas, lidas ou cantadas, mas sempre com muito sentimento, por crianças, jovens e menos jovens, em perfeita sintonia, as palavras escritas por este poeta, palavras que, tantas vezes, já li e que, tantas vezes, me acompanharam, ao longo da minha vida. Senti-me, eu também, parte integrante desse momento. Voltando um pouco mais à realidade, ainda tive maiores certezas sobre a importância das parcerias com outras instituições, quando queremos ir mais além e englobar mais pessoas. Não posso deixar de referir a satisfação que senti ao encontrar algumas pessoas, ex-alunos e não só, na asssistência ou a trabalharem neste Instituto. Como é bom encontrar pessoas com quem vivemos alguns bons momentos!
    Vim-me embora, passadas três horas, satifeita comigo própria, por ter feito esta opção, por ter “ganho” tempo, por ter aprendido, por ter vivenciado algo de novo, por ter feito parte, por ter conhecido um pouco deste grande projecto. Vim melhor e maior!
    Vou fazer-me sócia e vou voltar!
    Obrigada Telmo!
    E não me digam, embora aceite as opiniões dos outros e a sua liberdade, que escrever sobre o que sentimos, o que pensamos e o que vivenciamos, não é frutífero, apoveitando esta página para trocarmos opiniões pois, às vezes, o “maldito tempo” já não nos deixa conversar de outra forma.
    Eu, sempre que me apetecer, vou continuar a fazê-lo, é uma forma de me sentir parte integrante de algo nem que seja para concordar, para dar parabéns por algo ou para agradecer o “obrigarem-me” a reflectir sobre o que existe à minha volta e o que eu posso fazer para o melhorar!
    Está melhor, não está?


  4. on October 6th, 2010 at 1:01 am

    […] educação. E a educação, sabemos hoje, consegue resultados extraordinários: basta relembrar o trabalho de Sérgio Fajardo, alcaide de […]


  5. on February 22nd, 2011 at 12:10 am

    […] interagir, CADA VEZ MAIS, com a comunidade que a envolve. A escola tem de telefonar às pessoas -  marcar encontros - trocar experiências: as escolas têm criatividade, as pessoas têm experiência; as escolas têm […]

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