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GP Frei Gil 2009

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Não é fácil definir o que é a aprendizagem informal. Para alguns é aprendizagem não formal, que significa aprender fora da escola, fora de estruturas formais. Muito mais do que isso, a aprendizagem informal é algo que é eminentemente social, mais direccionada para os estudantes e não para os professores. A própria vida é o exemplo máximo da aprendizagem informal.

E isto torna-se um dilema, porque ao tentarmos apoiar e defender a aprendizagem informal, rapidamente ela se torna numa actividade formal. Por exemplo, podemos construir praças ou jardins onde as pessoas se podem encontrar e partilhar conversas informais, mas não podemos delinear uma forma exacta de como as pessoas aprendem informalmente. A gestão deste tipo de ensino terá sempre de passar pela criação de um ambiente que suporte a interacção informal.

Há alguns anos atrás, a Finlândia era muito forte na vertente da aprendizagem móvel e as pessoas riam-se da ideia. Mas, ao contrário das outras importações que muitas vezes queremos forçar e que vêm de modelos de sociedade muito diferentes da portuguesa, acho que esta ideia em particular se está a integrar com o espaço da aprendizagem informal, porque ser móvel significa que o contexto está à nossa volta e é contextualizando que a aprendizagem ganha sentido.

Por exemplo, de que vale fazer a apologia da energia solar fotovoltaica se não formos capazes de demonstrar que ela funciona mesmo? Por isso as oficinas solares estão abertas na escola em horário pós-laboral e os alunos podem experimentar usar os painéis disponíveis para fazer mover um barco ou um carro. E podem cozer pizzas ou maçãs num forno solar. E podem aquecer água num colector de água construído por eles.

Mas um professor numa sala de aula não está fora de contexto; tem é que aplicar o contexto ao próprio contexto, o que pode ser complexo na azáfama de cumprir programas. Mas é exactamente aí que a aprendizagem móvel e informal pode desempenhar o papel complementar, que é  usar um contexto de uma forma melhor, ligando o espaço virtual e o espaço físico. No entanto, regra geral, é aí que penso que a aprendizagem informal está de momento a falhar no campo da tecnologia educacional, porque a generalidade dos professores não dá importância suficiente ao significado dos espaços físicos e dos jardins para as reuniões, para o diálogo. Quando vemos tecnologias móveis, sociais e espaços físicos a relacionar-se muito bem, acho que é quando sabemos o que é a verdadeira aprendizagem.

A revolução industrial criou a necessidade de estruturas que eram úteis, mas, no futuro, acho que corremos o risco de ir longe demais, vendo as pessoas como engrenagens nas máquinas - como Max Weber diria. Na realidade, temos que integrar o humano na máquina também. Não são as pessoas que se devem tornar mecanizadas, mas sim o contrário: o uso correcto da tecnologia deve ser a interacção social.

Foi o que aconteceu no dia 12 de Junho, com o 3.º GP Frei Gil. Esta jornada de promoção das energias alternativas é o somatório de muitas outras jornadas vividas ao longo do ano lectivo, em contexto informal, por professores e alunos. Obrigado a todos, sem excepção – a máquina que a escola por vezes encarna humanizou-se com a vossa presença e colaboração.

Naturalmente, os resultados de excelência obtidos são da responsabilidade dos alunos e é a eles que devem ser direccionados os parabéns por mais uma prestação fantástica – miúdos, o esforço compensa! Não deixem de acreditar e mantenham-se assim, curiosos e empenhados: é assim que o mundo pula e avança!

picture-2.pngMas permitam-me uma homenagem sentida a dois colegas que, não estando directamente envolvidos no Clube das Energias Renováveis, abdicaram de muitas madrugadas, fins-de-semana e feriados para construir o veículo solar tripulado que o IPSB apresentou… Telmo e Pedro: só a amizade permite escrever palavras na areia e lê-las no futuro. O vosso nome nunca se apagará da minha praia.

Publicada em Escola em June 16th, 2009 por andre_moreira | |

One Response to ' GP Frei Gil 2009 '

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  1. andre_moreira said,

    on June 19th, 2009 at 8:12 pm

    Deixo aqui atranscrição do texto publicado pelo Professor Arsélio Martins sobre o GP deste ano:

    “Escrevo sobre um lugar de sombra nula.

    Na pista em 8 do IPSB os carrinhos fotovoltaicos correm entre meta e meta. Sem sombra que atrapalhe, os carrinhos voam baixo e velozes. No júri ouvimos os jovens explicar as opções tomadas tanto ao nível da estética como da técnica durante a construção dos seus carrinhos..Voam mais ou menos velozes sobre as suas respostas. Uns mais, outros menos, voam autónomos. Este é o lugar de sombra nula onde o sol é livre para ajudar no voo e onde os jovens são livres de aprender com os seus projectos sem sombra.

    Sabemos que por ali vagueiam algumas das melhores respostas às questões de aprender e ensinar. Incapazes de ver os processos, falamos sobre eles enquanto vemos os resultados. Os construtores ligam-nos pouco, porque vigiam os resultados construídos, tratando carinhosamente os seus carrinhos, barquinhos e chaimites feitos de restos de pequenas coisas já usadas antes. Se olho para os que ficaram pelo caminho, é para os ver ao colo dos seus construtores carinhosos. Carinhosos, fisicamente carinhosos, ternurentos.

    À margem dos carrinhos podemos seguir as pizzas que cozem nos fornos solares e podemos seguir o carro a energia solar que convoca a GNR de Bustos para desimpedir as ruas. Por onde passa veloz o carrinho guiado por um jovem franzino, correm professores esquecidos do sol abrasador que é a fonte da energia do carro e fonte de cansaço para quem corre.

    E damos por nós paralisados neste forno solar, neste lugar de sombra nula. Cansados, agradecemos o momento.”

    Obrigado pela tua presença e pela tua paciência, amigo.

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